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Os Dez Desafios à saúde global para 2019 – Parte 1

18/02/2019
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O mundo está enfrentando vários desafios relacionados a saúde, que variam de surtos de doenças infecciosas que são evitáveis com o simples ato da vacinação, como sarampo e difteria; a crescente lista de patógenos resistentes a medicamento; taxas crescentes de obesidade e sedentarismo; e fatores ambientais que impactam a saúde, como mudança climática e crises humanitárias.

Para enfrentar esses e outros desafios, 2019 é o ponto de partida de ações estratégicas definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que constam no 13º Programa Geral de Trabalho (13th General Programme of Work). Este plano tem uma meta dos três bilhões: garantir que 1 bilhão a mais de pessoas se beneficiem do acesso à cobertura universal de saúde, 1 bilhão de pessoas a mais tenham acesso a saúde nas crises emergenciais e que 1 bilhão de pessoas a mais desfrutem de melhor saúde e bem-estar.

Alcançar esse objetivo exigirá abordar as ameaças à saúde de vários ângulos. Nessa primeira parte, falaremos de 5 das muitas questões que demandarão atenção da OMS e dos parceiros de saúde em 2019.

Poluição do Ar e a Mudança Climática

Nove em cada dez pessoas respiram ar poluído todos os dias. Em 2019, a OMS coloca a poluição do ar como o maior risco ambiental para a saúde. Poluentes microscópicos no ar podem penetrar nos sistemas respiratório e circulatório, danificando os pulmões, coração e cérebro, matando 7 milhões de pessoas todos os anos, prematuramente, de doenças como câncer, derrames, doenças cardíacas e pulmonares. Cerca de 90% dessas mortes ocorrem em países de baixa e média renda, com altos volumes de emissões da indústria, dos transportes e da agricultura, além de fogões e combustíveis sujos usados em residências.

A principal causa da poluição do ar (queima de combustíveis fósseis) também é um dos principais contribuintes para a mudança climática, que afeta a saúde das pessoas de diferentes maneiras. Entre 2030 e 2050, espera-se que a mudança climática cause 250.000 mortes adicionais por ano, de desnutrição, malária, diarreia e estresse por calor.

Doenças Crônicas

Doenças não transmissíveis, como diabetes, câncer e doenças cardíacas, são coletivamente responsáveis por mais de 70% de todas as mortes no mundo, ou 41 milhões de pessoas. Isso inclui 15 milhões de pessoas que morrem prematuramente, com idade entre 30 e 69 anos.

Mais de 85% dessas mortes prematuras ocorrem em países de baixa e média renda. O aumento dessas doenças tem sido impulsionado por cinco fatores de risco: uso do tabaco, sedentarismo, uso nocivo do álcool, dietas pouco saudáveis e poluição do ar. Esses fatores de risco também acentuam os problemas de saúde mental, que podem se originar desde cedo: metade de todas as doenças mentais começa aos 14 anos, mas a maioria dos casos não é detectada ou tratada – o suicídio é a segunda causa de morte entre adolescentes de 15-19 anos.

Pandemia Global do H1N1

O mundo enfrentará outra pandemia da gripe H1N1 – a única coisa que não sabemos é quando será e quão severa será. A OMS está constantemente monitorando a circulação dos vírus Influenza para detectar potenciais cepas pandêmicas: são 153 instituições em 114 países que estão envolvidas na vigilância e resposta global.

Todos os anos, a OMS recomenda quais cepas devem ser incluídas na vacina contra gripe para proteger as pessoas da gripe sazonal. No caso em que uma nova cepa da gripe desenvolva um potencial pandêmico. A vacinação é a principal forma de prevenção.

Cenários Frágeis e Vulneráveis

Mais de 1,6 bilhão de pessoas (22% da população mundial) vivem em locais de cenários vulneráveis (como seca, fome, conflitos e imigração) com saúde precária sem acesso aos cuidados básicos. Esses cenários existem em quase todas as regiões do mundo, e é onde a metade das metas-chave dos objetivos de desenvolvimento sustentável, incluindo a saúde materna e infantil, permanece não atendida. A OMS continuará a trabalhar nesses países para fortalecer os sistemas de saúde, de modo que eles estejam mais bem preparados para detectar e responder aos surtos, bem como para fornecer serviços de saúde de alta qualidade, incluindo a imunização.

Resistência Antimicrobiana

O desenvolvimento de antibióticos, antivirais e antimaláricos são alguns dos maiores sucessos da medicina moderna. No entanto, o uso desregrado desse medicamento está se tornando um grande problema para saúde: resistência antimicrobiana – a capacidade de bactérias, parasitas, vírus e fungos resistirem a esses medicamentos – ameaça nos mandar de volta a uma época em que não conseguimos tratar facilmente infecções como pneumonia, tuberculose, gonorreia e salmonelose. A incapacidade de prevenir infecções é um grande agravante para cirurgias e procedimentos como a quimioterapia.

No caso da tuberculose, a resistência às drogas já é um cenário preocupante. A tuberculose causa a morte de 1,6 milhão todos os anos. Em 2017, cerca de 600 mil casos de tuberculose foram resistentes à rifampicina – droga de primeira linha mais eficaz contra a doença – e 82% dessas pessoas apresentavam tuberculose multirresistente.

A resistência aos medicamentos é impulsionada pelo uso excessivo de antimicrobianos nas pessoas, mas também em animais, especialmente aqueles usados ​​na produção de alimentos, bem como no meio ambiente. A OMS está trabalhando com esses setores para implementar um plano de ação global para combater a resistência antimicrobiana aumentando a conscientização e o conhecimento, reduzindo a infecção e incentivando o uso prudente de antimicrobianos.