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Entrevista: Diagnóstico molecular auxilia tratamento de pacientes com leucemia

05/04/2019
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Em 2018, mais de 10 mil pessoas foram diagnosticadas com leucemia no Brasil, segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer). As leucemias são agrupadas de diferentes formas, de acordo com a velocidade que a doença evolui ou o tipo de glóbulo branco envolvido na patogenia da doença.

Entenda quais os principais tipos de leucemia e como diagnosticar, na entrevista com Marciane Welter que possui graduação em Farmácia, Bioquímica e Indústria pela Universidade Federal do Paraná (2004), Mestre (2014) e Doutora (2018) em Ciências Farmacêuticas UFPR. Trabalhou por 6 anos no Hospital de Clínicas (UFPR) no Laboratório de Imunogenética e Doenças Onco-hematológicas (Unidade de Apoio Diagnóstico), com BCR-ABL. Atualmente é responsável pelo setor de Hematologia Molecular do laboratório Mantis, de Curitiba.

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Bioemfoco – O que é leucemia e quais os diferentes tipos?

A leucemia é uma doença maligna que acomete os glóbulos brancos e originada na medula óssea que é responsável pela produção das células sanguíneas. Os glóbulos brancos, que são os leucócitos, se dividem descontroladamente ocasionando a doença. As leucemias podem ser divididas em mieloide e linfoide, dependendo do tipo de célula envolvida e classificadas em crônica e aguda, conforme o percentual das células imaturas (blastos).

A nova classificação das leucemias publicada em 2017 pela OMS (Organização Mundial da Saúde) descreve a importância dos exames de morfologia, citometria de fluxo, citogenética e estudo molecular na classificação das doenças hematológicas dentre outras.

Bioemfoco – Qual é o cenário da doença no Brasil?

Falando da LMC (leucemia mieloide crônica) especificamente, acomete indivíduos principalmente na fase adulta. A frequência dela é de 2 a 3 casos para cada 100 mil habitantes e constitui cerca de 14% dos tipos de leucemia.

Bioemfoco – Como ocorre a LMC?

Ela se caracteriza pela presença do cromossomo Philadelphia onde ocorre uma translocação, ou seja, uma troca de material genético entre o cromossomo 9 e 22, formando o gene quimérico BCR-ABL.

Este gene produz uma proteína que apresenta elevada atividade tirosina quinase desempenhando um papel central na patogenia da LMC.

Bioemfoco – Como é realizado o diagnóstico da doença?

O diagnóstico da doença pode ser feito tanto por citogenética quanto por biologia molecular. Pela técnica de citogenética detecta-se a presença do cromossomo Philadelphia e, por biologia molecular, se avalia diretamente a presença dos transcritos podendo também se determinar quanto destes transcritos estão presentes no sangue ou medula óssea do indivíduo. Na LMC, os tipos de transcritos usualmente encontrados são b2a2 e b3a2 que codificam a proteína p210, estas duas isoformas possuem o mesmo impacto clínico. Na LLA Ph+ (leucemia linfoide aguda) o tipo de transcrito presente é o e1a2 que codifica a proteína p190 levando a uma leucemia mais agressiva que a LMC.

Bioemfoco – Como funciona a técnica de PCR?

A PCR (reação em cadeia da polimerase) é uma metodologia utilizada na biologia molecular. Ela permite que você amplifique um determinado fragmento de DNA inúmeras vezes. Esta quantidade amplificada depende da quantidade de ciclos programados no termociclador real time.

A PCR em tempo real é o método ouro para acompanhamento do tratamento de pacientes com LMC. Esta técnica apresenta maior sensibilidade se comparada a citogenética, sendo mais simples e rápida. Também é uma técnica não invasiva, pois utiliza sangue periférico enquanto que para fazer a citogenética é necessário usar a medula óssea do paciente. No teste molecular também é possível detectar recaídas precoces.

Bioemfoco – Então o teste molecular pode ajudar no monitoramento do paciente já diagnosticado?

Sim, ela é a ferramenta que o clínico possui para monitorar o tratamento do paciente. Deve ser feita a cada três ou seis meses dependendo da evolução da doença.

O ideal é que o exame molecular fosse feito nos pacientes de LMC com uma maior frequência. Assim, o clínico consegue monitorar melhor o paciente, verificar a adesão, e consequentemente, trazer uma melhor qualidade de vida para este paciente que está utilizando o inibidor de tirosina quinase.

Bioemfoco – Como é a atuação do laboratório Mantis?

O Mantis Diagnósticos Avançados é um laboratório que atua nas áreas de oncologia, hematologia e doenças infecciosas. Fundado em 2010, é coordenado pela diretora técnica e Coordenadora do setor de Citometria de Fluxo desde 2016, Dra. Miriam P. Beltrame. Possui graduação em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal de Santa Maria (1982), especialização em Imunologia (1994) e mestrado na Medicina Interna pela Universidade Federal do Paraná (2004) e doutora na Medicina Interna (UFPR) em 2013. Trabalhou por 23 anos no Hospital de Clínicas (UFPR) no Laboratório de Imunofenotipagem (Unidade de Apoio Diagnóstico), nas áreas de Hematologia, transplante de Célula-Tronco Hematopoética e Imunologia. Atualmente é Aluna do Pós-Doutorado na Medicina Interna (UFPR).

Possui uma equipe multidisciplinar formada por Biológos, Biomédicos, Biotecnólogos, Enfermeiros, Farmacêuticos, Médicos, Gestores da Qualidade, Administradores e Técnicos de laboratório, que estão sempre inovando, implantando novas técnicas, e trazendo exames de alta qualidade e confiáveis.

O diferencial do Mantis é a comunicação direta entre a equipe do laboratório e os médicos para a discussão dos resultados. Esta proximidade permite assessoramento técnico e científico, que facilitam condutas terapêuticas adequadas e em tempo hábil, promovendo assim a medicina personalizada.

Nós implantamos o kit XGEN para BCR-ABL em maio de 2018 que se mostrou simples, rápido e produtivo, permitindo assim que possamos liberar o laudo com maior rapidez para o médico, adiantando o início do tratamento e consequentemente, melhorando a qualidade de vida do paciente.

Saiba mais:
Mantis Diagnósticos Avançados
(41) 3046-5300

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